15 de novembro de 2012

Sem necessidade


Foto: sapo.pt

Eu também já tive uma má experiência com paralelos da calçada à portuguesa. Era muito miúdo e alguém fez questão de me mostrar que na relação de forças entre o atrito da rocha em grande velocidade contra a resistência do crânio humano, há grande vantagem da primeira. Ontem, no decurso da manifestação em frente ao parlamento, vi um grupo de hooligans a dar a sua própria visão de como um paralelo tem sempre uma palavra a dizer, quando esta já falta nas bocas dos homens.

Escusado será dizer que repudio actos destes. Mas também acho que se deve admitir que na cabeça de todos nós pairava a questão de por quanto tempo mais seriamos nós capazes de levar uma acção de protesto até ao fim, sem que algo do género acontecesse. Por mais condenável que seja, a rebelião é da natureza mais primária do homem. A sociedade funciona como um psicólogo que nos ensina a controlar os impulsos. Mas nem sempre os psicólogos são bem-sucedidos e acabam por deixar passar, pelos buracos do crivo, alguns bichos com psicopatias demasiado entranhadas e crónicas.

Se há dias fui eu a malhar na PSP, no meu caso, por via da caneta, hoje sou também homem para reconhecer que, em situações como a de ontem, nada mais havia para ser feito. A paciência humana tem limites e os da PSP foram levados até ao ponto de não retorno.

Muito sério para o registo do Manel. Eu sei. Às vezes é preciso.

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