28 de dezembro de 2011

Respect!


Fico hoje a saber algo que me surpreende duplamente. Li que no passado Sábado morreu o famoso chimpanzé Cheetah, dos filmes do Tarzan, rodados nos anos trinta do século passado. Surpreende-me que tenha morrido, mas mais me surpreende que ainda fosse vivo. Tinha 80 anos.

Num blogue sério haveria espaço para considerações várias sobre este avô primata. Sim tinha idade para ser avô! Uma das que imediatamente me assola prende-se com o seguinte: como é que nos devemos comportar na presença de um animal de 80 anos de idade? Devemos manter aquela postura patética de quem está a falar com bebés ou com caniches ou, por outro lado, devemos mostrar o respeito que se deve manter na presença dos nossos bisavôs? Nunca tinham pensado nisto, eu sei. Nem eu! À excepção das tartarugas gigantes e do Manoel de Oliveira, nunca eu ouvira falar de um animal que durasse tanto tempo.


Uma coisa é certa: este vai ficar na nossa memória como alguém que nos deu grandes momentos, principalmente nos domingos à tarde, na altura dos dois canais de televisão. Para ele segue a minha respeitosa homenagem e admiração. Já para outros primatas que andam por aí a tentar protagonismo às custas do meu e do vosso dinheiro, deixo uma mensagem de repúdio bem forte e que rapidamente sejam devolvidos ao seu habitat natural.

22 de dezembro de 2011

Dear Jerónimo


O meu caro amigo insiste em querer dar-me razão. E devo dizer-lhe que não fico nada contente em ficar por cima naquilo a que chamo de razão. No mês passado escrevi aqui sobre a minha frustração com esta forma caduca de fazer política por parte da esquerda, como se ainda vivêssemos em plena revolução bolchevique e etc. e tal.

Hoje fico a saber que a bancada parlamentar afecta ao seu partido votou contra o voto de pesar pelo falecimento do malogrado ex-presidente checo, Vaclav Havel. Segundo li, o senhor ter-se-á inclusive ausentado por altura da votação, voltando logo após. Desta vez até as ovelhas negras dos fumadores de brocas aplaudiram de pé, meu caro.

Não estou assim tão familiarizado com a vida e obra deste senhor, mas sei o bastante para perceber que era uma pessoa de valores. Não vou aqui desenrolar a biografia de Vaclav Havel, mas digo que bastava o que fez pela cultura do seu país e pela política desse mesmo país, para que fosse sujeito a uma merecida homenagem.

Claro que o senhor Jerónimo não gostou foi que o senhor Havel fosse um dos responsáveis por dar ao seu povo o direito a ser livre do jugo soviético. Esse sim, o seu grande amor, para não dizer obsessão. Acho mal senhor Jerónimo.

Acho ainda pior que há poucos dias tenha sido o seu partido o único que mostrou pesar pelo desaparecimento do Querido Líder. Não é estranho? Julgo que os seus pais terão tido muito orgulho em si quando viram que o senhor era o único a marchar bem no seu batalhão. Olhe, pelo menos não destoa. Continua no passo certo, caro amigo.

O senhor no tempo em que fazia aquela dança das galinhas tinha muito mais piada. Agora nem para a caça. Perdeu o faro.

Cumprimentos.

Os meus votos

Não percamos tempo e sem qualquer explicação retórica, passemos directamente ao assunto.
Este ano não quero desejar um Natal Feliz aos seguintes elementos:

Pedro Passos Coelhos e restantes troikistas. Estes andam a ver se lixam o meu, portanto...

Jorge Nuno Pinto da Costa. Eu sei que a quadra é de altos valores morais mas aqui é pura inveja da minha parte, por não ter a beleza física deste senhor. Ele é brasileiras, secretárias, escritoras.

Gay e suas gordas amestradas. Perdoem-me, mas esta não vou explicar.

A todos os que não estão incluídos nesta lista desejo um Natal Feliz, rodeados daqueles de quem mais gostam. Desejo ainda que não se deixem inundar pelo pessimismo que paira sobre as nossas cabeças.

Passem muito bem!

20 de dezembro de 2011

The show must go on

Quer se queira ou não, quer se ache muito ou pouco engraçado, a verdade é que os clichés estão presentes em quase todas as circunstâncias da nossa vida. É inevitável. Não há nada que nos aconteça, para a qual não hája uma frase feita que o defina. Aqui fica a minha do momento:

A vida continua.

O do Manel promete voltar a estar ao seu nível de ora em diante. Aqui não há espaço para grandes reflexões, nem introspecções profundas. Aqui brinca-se e ponto.

Até já!

16 de dezembro de 2011

O chefe de família que quis um dia ser padre


Já lá vamos. Essa é uma história que não sendo longa, não é a que mais importa contar. Quero falar-vos de um homem que eu conheço desde que me conheço a mim próprio. O enredo por si mesmo não é dos mais complexos e em pouco ou nada difere do de outros homens que, tal como este, procuraram uma vida melhor fora das suas aldeias do interior.

Década de 60. Deixa-se para trás uma família na esperança de a reagrupar o quanto antes, mas de preferência por terras mais prósperas e com os bolsos mais saudáveis. As terras não goraram as expectativas, já a saúde dos bolsos continuou débil. O homem seguiu o seu percurso. Fez tudo o que lhe era viável fazer para que não deixasse passar mal a tal família de novo unida. Lutou que se fartou. Usou a única arma que tinha ao seu alcance e que era a sua força. Nunca alcançou riqueza material, mas o que foi dando aos seus valia bem mais que ouro. Ninguém regateou nada. Ninguém queria mais que aquilo.

O homem tinha mãos, já vos digo. Trabalhou a terra, trabalhou a madeira, trabalhou o ferro. Foi electricista, canalizador, carpinteiro, pintor, artesão, professor, curandeiro, psicólogo. Passava o texto até ao fim só com a lista daquilo que o homem fez! Bom, e com o que desfez também. Coitados dos rádios a pilhas e dos televisores dissecados na sua marquesa anos afora.

Demasiado novo ainda e já leva a primeira golpada. Cambaleia, mas nem pensar em cair. Siga porque ainda há muito aparelho eléctrico para esventrar. Foi seguindo feliz e nada, mesmo nada, o deitava por terra. Era um autêntico Chalana a fintar uma morte que teimava em querer rasteira-lo de quando em quando. O gajo tinha uma finta tão desconcertante, borrava a pintura toda, precisamente quando comentava as fintas dos Ronaldos e dos Messis. Ou se marca golos ou então não jogam um caracol!

Como em todas as grandes carreiras, a deste homem também terminou. Casa cheia. Troféus imensos. Agora retirou-se. Foi descansar.

Ah pois! A tal história que poderia ter feito do tal chefe de família um promissor padre! Não aconteceu… Mas podia muito bem ter acontecido.

13 de dezembro de 2011

Terça-feira 13

Para todo o supersticioso que se preze, sabe muito bem que a Terça-feira dia 13 faz da Sexta-Feira 13 coisa de meninos. Porquê? Acima de tudo porque pouco ou nada acontece a uma Terça-feira 13. É uma espécie de buraco negro na semana. Então nas semanas em que não há Liga dos Campeões, mais valia também não haver Terça-feira.
Sei que já estão fartos de levar com a palavra feira antecedida pela palavra terça, mas eu não me conformo com as terças, pá! É assim um misto de revolta com aborrecimento. Nos restantes dias da semana a minha vontade de trabalhar é extremamente reduzida, mas à terça é ainda mais! Dá-me azar trabalhar numa Terça-feira 13.
Nestes dias até a crise se esconde para que ninguém se lembre dela. Não o digo apenas porque me apetece. Digo-o porque a imprensa online que costumo frequentar parece ter-lhe dado tréguas. Nada de relevante. Apenas uns japoneses que não querem fazer baterias em Aveiro. É natural. Aveiro é terra de ovos-moles e não de pilhas.  Mas já que esses pigmeus estão feitos parvos, também não lhes devolvemos o Ricardinho.
Nas terças-feiras 13 nem há nada de jeito para se poder escrever. Vou a caminho do quarto parágrafo apenas a encher chouriços. Se calhar parava por aqui, não?

12 de dezembro de 2011

Elementar, meu caro Watson


Instruções para a leitura correcta desta entrada:

1.       Leia a primeira parte do texto

2.       Veja o vídeo (com som, por favor)

3.       Leia o restante



O final da semana passada trouxe à opinião pública imagens sobre o caso da alegada violação de Strauss Kahn, Presidente do FMI, a uma empregada de hotel. Aquilo que à partida era líquido deixa de o ser. Parece que o senhor terá mesmo caído em alguma trama. O sistema de CCTV do hotel é altamente comprometedor em relação à atitude de alguns dos personagens envolvidos.

Quero partilhar convosco algo de muito mais inquietante. Nem tudo o que parece é.

Veja agora o vídeo com atenção.


Eu não disse? Como qualquer bom hotel que se preza, também o Sotifel recorre à mão-de-obra imigrante para as suas tarefas consideradas menores. Aquilo que se vê são o açoreano José Belarmino e o transmontano Aníbal Joaquim, ambos emigrantes em Nova York e ambos seguranças, num momento de pausa a ouvir, às escondidas, um relato de futebol. Escusado será dizer que são do clube dos 6 milhões, mais dois.
Case dismiss.

8 de dezembro de 2011

Truques e Dicas


Olá povo! Então como é que vão hoje? De certeza que ninguém está em casa, pois não? Anda tudo a brincar ao dia da Imaculada Conceição, não é? Seus malucos! Eu como não sou grande conhecedor destas festas religiosas, optei por ficar em casa e evitar os encontrões e tal.

Como não tenho grande coisa para fazer, opto por voltar à minha missão de serviço público. Já vos dei dicas de bricolage e hoje dar-vos-ei dicas de informática. Como? Ah sim também sei alguma coisa de informática. Digamos que eu sou o Júlio Machado Vaz dos gadgets. Tento parecer cool e falar muito. Em alguma hei-de acertar.

A solução que quero partilhar convosco é muito simples e fácil de aplicar, para quem tem Android como sistema operativo no seu telemóvel. Basta ir ao Adroid Market e fazer o download.

O nome do produto: Blacklist, da AntTek, Ink. É o Dum Dum das chamadas e dos sms indesejados. Nunca vos aconteceu terem um amigo ou amiga (ou ambos os géneros), que gostam tanto de vocês que vos querem à força passar informação, mesmo a altas horas da madrugada? A mim já. Eu simplesmente esmaguei-os com a ponta dos meu dedo indicador. Eles continuam por lá a rodopiar em volta, mas simplesmente não incomodam porque o grande Blacklist faz o trabalho que lhe compete. Este Ratax do Android é o meu melhor amigo desde que adquiri o meu equipamento. Para quem não tem Android de certeza que arranjará uma solução do género.

E agora Pipoca Mais Doce? Quem é que dá grandes dicas, hein? Incha!
Pronto. Voltem lá para as vossas maluqueiras do dia da Imaculada Conceição.

6 de dezembro de 2011

A Troika Carol


Faz tempo que não tenho convosco aquele tipo de conversa num registo mais intimista, mais tu cá, tu lá. Garanto-vos que assuntos não faltam. Aliás, um tipo nem tem que cavar assuntos. Eles caem-me no colo. Acho que o que me mata mesmo é a diversidade. Adiante...

Hoje lembrei-me de que estamos a chegar ao Natal. É tão bonito o Natal, não é? O Tio Belmiro e o Tio Jerónimo ficam doidos nesta quadra. É vê-los a dar mais pulos que os miúdos. No princípio do parágrafo usei o termo “lembrei-me” porque sinceramente nem dava por ele. O meu desânimo é exponencialmente oposto ao ânimo dos Tios Belmiro e Jerónimo.

Lembrei-me do Dickens e do seu, talvez, mais famoso personagem, o Sr. Scrooge. É icónico e já deve ter sido clonado para lá de um milhão de vezes. Eu próprio já o fiz, mentalmente, umas 47. Agora estou pronto para vos dar uma delas. Cheguem-se aqui à fogueira.

O Pedro era agora um homem de grande poder. Em bom rigor, liderava os destinos de um pequeno rectângulo de terra de gentes pacatas. Era um reino tranquilo que apenas abanava quando o clube mais representativo dos seus habitantes perdia (utilize o clube que mais lhe aprouver. Não sou assim tão mesquinho). Pedro acabara de perder o seu sócio e parceiro de grandes decisões, o Zé pá. O malandro do Zé tomara à sua revelia decisões ruinosas para o pequeno estado soberano. Já o Zé se havia desculpado com o Zé Manel e este, por sua vez, com o António (isto poderia saltar de culpado em culpado e em loop).

Por falar em loop, saltemos no tempo e na história e vamos atalhar para aquela parte em que depois da assombrosa aparição do Zé, este lhe fala dos três espíritos que o visitarão, durante a próxima noite.

Dormia tranquilamente o Pedro quando a primeira das aparições acontece. Assustado, mas avisado, Pedro pergunta o que lhe quer transmitir o tal espirito. Surpreso pelo pragmatismo do primeiro, o espirito desenvolve: Olha brother, eu apenas cá vim para te lembrar dos teus tempos passados. Dos tempos em que eras um jota cheio de pujança e de ideias frescas para mudar o mundo. Dos tempos em que eras apenas mais um dos brothers africanos a morar em Massamá. Lembras-te como a vida era simples nessa altura? Como o futuro parecia tão próspero? Basicamente era isto. Agora orienta-me aí umas moeditas para o estacionamento. Inté.

O Pedro também lera Dickens. Conhecia a história e não se deixou impressionar. Esperou sentado pela segunda visita. Não houve nada de espiritual agregado a isso. Um vidro a partir, um calhau quase a abrir-lhe o sobreolho e eis o espirito do Natal presente a entrar pela janela.

Blá, blá, blá, blá, presente e isto é o que temos: Vês ali? Enquanto o teu colega e homónimo está a trocar de Vespa para um Audi A7, repara como, logo ao lado aquele cidadão está a entregar o carro, para, provavelmente, ir buscar a tal da Vespa? E ali naquele outro canto? Consegues ver aqueles 230 senhores todos contentes nas compras de Natal, a encherem-se das mais variadas iguarias? Então compara lá com os restantes 10 milhões a quem estás a tirar o direito a poder ter algo de melhor nesta quadra do que o Natal dos Hospitais? Achas bem? Hum? Achas? Isto é culpa tua, sócio!

Nesta altura deveria aparecer o terceiro e último espirito. Pedro espera. Os minutos passam, as horas correm e nada. Estranhamente o conto começa a ficar desvirtuado. Nunca tal sucedera nos enésimos remakes. Já nada é como dantes. Nem as histórias! Pedro deita-se num misto de perplexidade e de alívio. Mas o que o Pedro não sabe é que o coitado do espirito não pode aparecer porque, não tendo dinheiro para pagar os contínuos aumentos dos combustíveis e sem cheta para comprar os novos passes não sociais e milionários, mais não pode do que ficar sentado a ver o aquele gordo do Preço Certo, no serviço público que a televisão do estado nos oferece. Espectáculo!

Moral deste plágio idealístico: Não existem espíritos, Pedro. Isto está mesmo a acontecer. E a cada dia que passa, lá vens tu com mais uma surpresa, como se fosse um qualquer ovo Kinder. Abre a pestana, Pedro!

5 de dezembro de 2011

Como é que é?


Diário de Notícias 05-12-2011


Podemos agora voltar a falar da crise? É que não há pachorra para continuar a aturar malucos que não tenham sido democraticamente eleitos por nós.

3 de dezembro de 2011