31 de dezembro de 2012

Contagem final

Esta posta será a última do ano de 2012. Aquele que supostamente seria o último, segundo uns, e o começo, segundo outros. Quem não se lembra de ouvir o ministro Álvaro dizer que seria o início do fim da crise? Pois bem. Como será o último vai ter que ser uma posta fininha para que não vos empanturre para o ano que está a chegar.

Não me apetece fazer retrospectivas daquilo que foi para mim 2012. Quero sim mudar de opinião em relação ao que espero de 2013. Há dias achava que o ano que vem seria (será), um ano terrivel por factores de vária ordem. E será mesmo. Mas na parte que me toca espero que seja o começo do novo Manel. Estou a contar com isso e empenhado nisso. Posso mesmo dizer que já hoje (literalmente), estou a rectificar coisas. Assim me ajude um Deus qualquer que possa por aí estar disponível para um ateu como eu.

Meus amigos, a todos um bom ano!

29 de dezembro de 2012

Uma história



Quem gosta de ler uma boa história ponha o dedo no ar! Calma pessoal! Cuidado com as cotoveladas! OK. Agora quem gosta de histórias com finais felizes, ponha o dedo no ar! Fogo! Não fazia ideia que tinha uma legião de malta tão certinha! À pala destas duas questões gastei a minha cota de pontos de exclamação num só parágrafo! A história que vos quero contar não sei se é dessas de finais felizes. Mas é garantidamente uma das boas. Cheguem-se aqui ao quente…

Conheci um gajo que tinha a mania que era alguém em níveis demasiado perto do perigoso. Esse meu conhecido ficou assim depois de ter levado uma pancada mesmo nos cornos. Daí para a frente, o nível de mania que era alguém disparou de tal maneira, que se esqueceu de quem era na realidade. Conhece uma miúda gira. Essa miúda é mesmo muito gira. Mas para lá de ser gira, era igualmente interessante. Caiu-lhe no goto. Aliás, ambos caiem no goto um do outro. Mas como a miúda era mesmo muito gira, esse meu conhecido acabou por rebentar com o nível de quem tem a mania que é alguém. Fez tudo ao contrário do que devia fazer. Descurou as coisas mais básicas que as raparigas giras necessitam. Estava de tal forma inebriado pelo seu estatuto de ser alguém que se esqueceu de que só era alguém porque tinha a tal miúda gira por perto. A miúda, que era mesmo muito gira, fartou-se de estar na sombra de um ego tão alto como o do meu conhecido. Fez-se à estrada e como qualquer miúda gira que se preze foi à procura da felicidade que está guardada para elas. O tipo nem percebeu o que lhe estava a acontecer. Parece que lhe tinha passado um comboio por cima.

Não lhe passou nada por cima, mas algo aconteceu que lhe fez mudar as perspectivas. Voltou a levar uma pancada, desta vez, bem em cheio nos mesmos cornos onde a primeira já havia acertado. Conclusão: Acordou, olhou em volta e não conhecia nada do que por ali estava. Depois de olhar em volta, olhou para si mesmo e assustou-se com os níveis de mania que trazia agarrados a si. Aquele não era certamente ele! Recomeça então a recuperar para uma realidade que não sabia se era a sua ou não. Viu a tal da miúda gira e ficou pasmo com ela! Mas não por ser uma miúda gira. Aliás, o que ele viu foi a mulher mais linda, que alguma vez vira! Que coisa mais estranha esta. Como é que fora possível nunca ter reparado naquela mulher tão bela?

Ficou a saber que, durante a sua amnésia, havia tratado aquela mulher bela por miúda gira. Ficou igualmente a saber que essa mulher estivera sempre perto dele, mas que algo tinha feito com que os seus níveis de mania o fizessem ver uma miúda muito gira. Foi-lhe dito que fizera tudo ao contrário de tal forma que a mulher bela se estava a afastar. E isso fá-lo voltar ao ponto em que um comboio parece estar a passar-lhe por cima.

Não vou contar-vos mais sobre esta história. Esta é daquelas que fica para cada um de vós concluir à sua maneira. Eu, como conheço bem o gajo, já fiz o meu final. Espero que seja esse o vencedor.

Agora vão lá ver o filme da Lassie que este ano ainda não tinha dado.

21 de dezembro de 2012

Alguém?

Com esta coisa toda sobre o fim do mundo até me esqueci daquilo que é realmente importante. Alguém me sabe dizer o resultado do Nuno Santos vs. RTP?

20 de dezembro de 2012

Ele há coisas...


Logo agora que já só tenho um dia pela frente é que me sai o cartão de "ganhou uma vida extra". Ando a ser trapaceado pelos astros, mesmo até ao fim.

18 de dezembro de 2012

Comunicado


Ando em modo Neanderthal. Não me apetece fazer a barba, ando a calçar o 45 só para não partir as unhas e estou a pensar deixar de tomar banho. Estão avisados para os dias que hão-de vir!

Aceito propostas de melhoria.

17 de dezembro de 2012

Hoje n'A Bola


Foto retirada do jornal A Bola
Imagem esclarecedora da notícia, mas com os adjectivos na ordem errada.

Hey Man! (leia-se amen em inglês, sff)

No fim-de-semana passado, por questões de ordem familiar, regressei ao contacto próximo com uma igreja, ou melhor, com uma celebração religiosa vulgarmente chamada de missa. Fi-lo por respeito aos meus familiares, presentes e não presentes, mas rapidamente me apercebi porque é que nunca fui rapaz assíduo neste tipo de actividades. Curiosamente até sou fã de arte sacra e dos próprios edifícios. Gosto de visitar igrejas e templos que tenham valor histórico. Se calhar isso é mais uma explicação a juntar a muitas outras. Hoje em dia as igrejas já não são o que eram. São, em grande maioria, derrames cerebrais de arquitectos aborrecidos com a vida.

Deixando de parte as considerações arquitectónicas, concentremo-nos no que interessa. Ir a uma missa acaba até por ser um bom exercício de observação de massas. Estas questões da espiritualidade permitem um contacto com experiências de cidadania que não são fáceis de encontrar noutro lado. Bom. Ser, até são. Mas ali estão concentrados num único espaço. Passemos então às conclusões deste meu trabalho de campo.

Apercebi-me que esta coisa da beatice é bem mais profissionalizada do que pensava. À conversa com um participante fiquei a saber que estava naquele local, àquela hora, para aquela eucaristia, mas que assim que esta terminasse, partiria para uma próxima, num local diferente. A isto chama-se scouting. O scounting é o termo hoje utilizado para os antigos olheiros no futebol. Ainda nesta área do scouting, eu próprio acabei por chamar a mim esse papel. Quando os primeiros cânticos foram entoados, fechei os olhos e imaginei, por momentos, que era aquele taberneiro gordo dos Ídolos. “O que é que vocês vieram cá fazer? É que vocês não cantam um caracol, pá!”

Chegou a altura de dar alguma atenção ao pároco. E pondo de parte todos os rituais inerentes ao acto (as orações, os dizeres, as acções, etc.), aos quais não reconheço qualquer significado prático, mas tendo a respeitar, gostaria de me concentrar naquela parte do sermão (sei que existe um termo mais correcto e mais nobre, mas não me está a apetecer googlar). E desculpem-me os mais puritanos, mas já ouvi coisas bem mais interessantes ditas pelos bêbados da tasca da minha rua. Aquilo é uma sucessão de Lapalissadas! “Se fores bom, não és mau”; “faz o bem, não faças o mal”; “não desanimes, anima-te”, etc. e tal. Tudo bem que assim seja. Não me chateia nada e, para alguns até pode funcionar como psicólogo à borla. Mas vejo-o dizer aquelas coisas e que Deus é alegria, mas a cada oração e a cada momento de introspecção as caras são de tristeza! Juro que não entendo onde está a dita alegria do Senhor!

Perto do fim, há um momento reservado a oferendas. Acho bem que os paroquianos ajudem a sua paróquia. Aí fiquei a saber que as simulações não são só no futebol. Vi mãos vazias a entrar no cesto das oferendas. Posso garantir que estou a falar verdade. Mas, verdade seja dita, que saíram tão vazias como haviam entrado. Estamos em crise, sem dúvida, mas não acho bonito querer parece-lo quando não se é. Até porque a tal mão seria das que menos problemas com a crise terá, no seio dos que estavam presentes.

Muito mais poderia eu dizer, mas também não tenho intenção de bater no ceguinho. Reafirmo o meu respeito pelos credos de cada um. Até pelo tripaneirismo! Mais digo que até invejo quem tem o seu próprio credo. A fé ajuda a levar as coisas com uma perspectiva de futuro que eu não consigo alcançar.

Não me excomunguem, por favor.

13 de dezembro de 2012

A.M.C.


Fazes-me falta
Fazes-me de tal forma falta que só hoje sei o que é sentir falta
Faltas-me nas mais básicas necessidades
Nos teus sorrisos, nos teus olhos mareados que diziam muito e significavam tudo
Faz-me falta aquele conselho que não queria receber
A história repetida que não queria ouvir
As tuas mãos. Essas fazem-me tanta falta
Eram hábeis as tuas mãos
Esse toque falta-me mesmo que ainda o sinta.
Faltam-me os ramos de eucalipto
Faltam-me as peças de fruta e as buchas
As cócegas são do que mais falta sinto...

E não me falta nada
Porque tenho mais do que alguma vez te dei
Não me falta o aconchego da tua lembrança presente nas coisas
Nem sinto falta do que está comigo e em mim
Ainda agora não me faltas em nada
E não me faltam formas de te agradecer

Só me faltas tu.


12 de dezembro de 2012

Posso reclamar?


Depois do governo de Pyongyang reclamar o seu direito legítimo de lançar mísseis, pasme-se, com fins pacíficos, aguarda-se uma declaração de Damasco a reclamar o direito legítimo de gasear os seus cidadãos com gás Sarin.
Depreendo disto que, para legitimar algo, basta reclamar. E esse é o principal motivo pelo qual déspotas e terroristas que passaram por este mundo foram severamente punidos, até com as próprias vidas. Porque não reclamaram os seus direitos legítimos! Acredito que egos tais como os de Hitler, Saddam, Kadafi, entre outros, eram tão grandes que não achavam necessário reclamar uma intenção formal de fazer algo de maléfico.
Uma vez que não quero correr o risco de ser igualmente chamado à razão, venho aqui publicamente reclamar os seguintes direitos legítimos:
  • O de entrar em casa do meu vizinho sempre que me apetecer e obrigá-lo a mudar para a Sport TV;
  • Na sequência da primeira reclamação, será igualmente obrigado a dar-me jantar e a cerveja que me apetecer beber; 
  • Puder circular no limite de velocidade que me apetecer, sem ser obrigado a parar à voz de comando das autoridades;
  • Apalpar o rabo a todas as mulheres que sejam interessantes, segundo os meus critérios de avaliação.
     
Podia estar o dia todo nisto. O que não me falta são coisas acerca das quais me acho no direito legítimo de reclamar. Como não quero ser exaustivo fico-me por estas. De agora em diante considerem-se avisados sobre aquilo que eu reclamo como sendo os meus direitos mais básicos.
Ah, outra coisa: Reclamo que ninguém terá o direito de reclamar das minhas reclamações.

12/12/12

Não... Nada... Nem um arranhão tenho! Detesto expectativas goradas.

11 de dezembro de 2012

Palavreando

Numa análise muito primária à Tag Cloud deste blogue, chego à conclusão que se fala muito aqui de politica, seguido de perto pelo futebol. Estranhamente uma das tags mais acesas diz "sporting". Igualmente estranho é que a palavra "cerveja" tenha tão pouca relevância no meu discurso.

Mas o que me está verdadeiramente a preocupar é que  "gajas" esteja tão apagada como, por exemplo, "pcp" ou "cavaco". Será que de repente descubro que sou gay? Ou será que sou, para lá disso, um gay capitalista de esquerda?

Se calhar é melhor parar com o cruzamento de informação não vá eu descobrir que sou também sportinguista!



P.S.: Aceito sugestões para por a cena das gajas a mexer... E cerveja.

Ao fundo

Estão danadinhos para me ouvir falar de bola hoje, mas não vai acontecer... por enquanto. Hoje a coisa é mais barcos. Quem acompanhou ontem as notícias terá ouvido que há um barco num porto de Marselha que foi arrestado por dividas do armador. Terão igualmente ouvido o relato que um dos dois portugueses da tripulação (o cozinheiro), fez sobre a sua falta de soluções gastronómicas. Diz o senhor que já não têm muito mais que comer a não ser cavalas.... E carne de porco... E galinhas... E língua. Bom, com isso um bom cozinheiro teria ideias mais atractivas do que simplesmente criticar a sua auto-falta de imaginação. Dizer que "já só" tem estes ingredientes é quase gozar com quem quase nem tem pão. Adiante...



No seguimento desta notícia fiquei igualmente a saber que este não é o único navio de pavilhão português nas mesmas condições. Há ainda mais três ou quatro (não consegui perceber bem), nesta situação, sendo que um deles está na Grécia. Eu não sei se esta ideia de pagar em barcos vem de São Bento. Nem me parece mal. Somos um país de mar pelo que barcos não nos faltam. Diria mais até: E que tal incluir nesse pacote uns submarinos usados, mas que estão como novos? Entregamos já com a revisão feita.

Pensem nisto.

10 de dezembro de 2012

Bom Natal!

Está aí o espírito de Natal a bombar como nunca. Pelo menos para mim é mesmo como nunca, porque nunca eu tinha presenciado uma quadra natalícia tão tímida por via da situação económica. Tímida e tristonha. É assim que o vejo. Curiosamente na empresa onde trabalho este parece ser o Natal do século. Os preparativos desta festa de cariz religioso, são apenas suplantadas em antecedência por aquelas que acontecem no Carnaval, uma celebração com um fundo pagão. Por lá o Natal está a ser preparado desde Agosto e se, no quadro geral, a sociedade anda a procurar gastar o menos possível, no meu local de trabalho contratam-se costureiros para fazer vestidos exclusivos para o muito aguardado jantar.

A malta precisa de se distrair e por isso vou deixar aqui um pequeno apontamento que ajude à festa. Vou publicar um vídeo que fiz, por altura de um jantar de Natal de empresa de há uns anos. A ideia era uma coisa de 30 segundos que mostrasse uma determinada área de negócios e que expressasse os votos de um bom Natal. 

De maneiras que, desejo uma quadra festiva tão boa quanto possível a cada um de vós.


6 de dezembro de 2012

?

Podemos saltar directamente para 2013, sem passar pela casa de partida e sem receber os dois contos?

5 de dezembro de 2012

Keep Calm


Apelo

A quem possa interessar:

Achei um parafuso com cerca de 2 cm de comprimento, com anilha incluída. Tal achado foi feito na zona do Choupal em Alverca do Ribatejo pelo pneu dianteiro direito do meu carro. Tanto o parafuso como a anilha estão em bom estado e não parecem ter sofrido lesões. Já o meu pneu não pode dizer o mesmo. Os interessados em mais informações devem dirigir-se a este espaço.

Obrigado.

4 de dezembro de 2012

SIC Notícias - Edição da Manhã

Sou forçado a voltar ao tema da televisão. Logo depois de ter colocado aqui aquela entrada sobre os home videos iniciei a minha preparação para sair rumo ao meu local de trabalho. Enquanto isso liguei a TV para ver as notícias mais frescas do dia assim como o trânsito. Sintonizo a SIC notícias onde o meu amigo de há muito, João Moleira, conversava com o seu colega Joaquim Franco sobre as escolhas de imprensa deste último.

O que é que me faz falar sobre isso aqui? A primeira das escolhas tinha que ver com questões levantadas por Bento XVI no seu último livro. Segundo diz, não haveriam animais no presépio original ao contrário daquilo que está mundialmente convencionado. Não li o livro nem tenciono fazê-lo. Não sou fã do género. Mas não sou mesquinho ao ponto de não acreditar no que este senhor diz. Todos sabemos que ele é o último contemporâneo vivo do presépio original.

Mas Joaquim Franco focava-se mais na questão de que os nossos vizinhos ibéricos andarem todos malucos com o facto de o Papa afirmar que os Reis Magos seriam provenientes da Andaluzia. Por mim tudo bem que nem sou monárquico. Mas também não me lixem! Segundo se sabe Baltazar era negro. Naqueles tempos, negros na Andaluzia seria tão fácil de encontrar como um branco a bater recordes nos 100 metros. Depois também é sabido que Gaspar é, infelizmente, português e braço direito do Pedro (não o da Heidi, mas o do Zé Povinho). Quanto muito aceito que Belchior fosse o único a falar castelhano. Senhor Papa, faça o favor de não deturpar a história.

A peça esteve largos minutos no ar. Mas o que fixei dela foi isto:



Haverá melhor ligação do que burros, vacas e reis espanhóis numa só imagem?

Não GOSTO DISTO


Ando a gostar à brava da grelha de programas um pouco por todo o universo televisivo. Eu achava que a atrofia era exclusiva de alguns canais, mas o grau de contágio dos vírus cinescópicos é elevado. A falta imaginação, de dinheiro e a pequenez cultural é tão grande que basta ter um computador com internet à mão para se produzir conteúdos capazes de passar em horários nobres. Sim, estou a falar naqueles programas à base de home videos do Youtube e que espalham como metástases por tudo o que é sitio.

Eu nem estou aqui armado em intelectual nem coisa que o valha, até porque também não vejo (via), o Câmara Clara. Devo até dizer que gosto de me rir com esse tipo de vídeos. Não gosto é de andar no meu zapping e não ter nada melhor que escolher, muito menos gosto de não ter opção melhor no canal que ando a sustentar. Até o Canal Q tem o seu! Esperem… A Benfica TV também tem um. E aqui já não bastava ser mau como ainda põem o Axel como anfitrião.

Senhores directores de programas, tenho uma coisa séria para falar convosco: ou aceitam em rever esta situação, ou vou assinar tudo o que é canal premium e mando a conta para os vossos gabinetes, está bem?

3 de dezembro de 2012

Um ano

Não estou em contagem rigorosa, porque o tempo nunca foi para mim uma ciência exacta. Sabes bem que sou péssimo nessa particularidade de marcar as coisas com datas. Curiosamente, na hora zero desta contagem, parece que fiquei mais consciente de que esse facto não é uma característica, mas sim uma lacuna.

As coisas que acontecem em um ano. E logo ali mesmo, no princípio desse ano, o Natal deixou de ter a mesma cor. A passagem do ano também. Mas o tempo não se compadece e vai seguindo. Não pára. E as coisas vão acontecendo como se nada fosse. Vou-te contando em tempo real as que mais marcaram a vida de todos, mas falta sempre algo. A mãe surpreendeu-me. De repente o gelo não estava lá mais e a dor, mais abafada hoje, mas sempre presente, deu lugar a uma necessidade de exteriorizar momentos e memórias.

No tal tempo que não pára houve lugar para uma operação de remoção do apêndice ao João. Fez dele mais homem, porque homem que é homem tem que passar por algumas contrariedades, como tu bem sabes.

O mês de Maio trouxe a celebração da Confirmação da Camila. Sobre isto nunca faláramos antes, porque nem eu alguma vez tivera contacto com essa realidade. Na terra onde vive, a Camila é agora, de acordo com a tradição, uma mulher e não uma menina. E tão bonito como a festa em si, foi o facto de a podermos ter acompanhado dentro, eu o João e a Eva. A minha princesa bem que merecia algo que lhe carregasse as baterias do ânimo. O começo deste ano que falamos foi demasiado amargo para alguém tão novo como ela.

Neste capítulo do carregar as reservas de moral, também o João teve o seu momento. Na bola, aquilo que mais gosta de fazer, passou do completo desânimo, para o renascer da vontade e da alegria. O rapaz é agora guarda-redes, na mesma equipa da qual quis sair por não se sentir importante o suficiente para continuar. Tem uma alma nova.

Sobre mim já sabes tudo. Vamos falando. Sou de poucas mudanças. Em breves dias começará a contagem de mais um ano nosso por cá e teu de olho em nós.

Esta época estou com uma fezada no Benfica!

30 de novembro de 2012

Dixit II



"Ainda nem recebi o subsídio de Natal deste ano e já sinto a falta do que deveria vir no próximo"

Manuel Morgado 30/11/2012


A luta

Estão abertos os trabalhos do 19º Congresso do Partido Comunista Português. Eram para aí umas 10:30 e eu tive a oportunidade de acompanhar, via radio, esse momento. Depois de dadas todas as explicações técnicas e orgânicas sobre o decurso dos trabalhos, chegou a hora de ouvir o camarada Jerónimo no discurso de abertura. Não sei se já repararam mas o Secretário-geral do PCP quando discursa tem uma cantilena muito parecida com a de um padre na hora do sermão. Se não soubesse que era ele a falar e se fosse 13 de Maio, até pensava que era homilia em dia de peregrinação a Fátima. Ora logo isto dá uma caricatura bem gira: Igreja/ comunismo. Enfim.

Sei que, como é hábito do partido, esta é uma jornada muito concorrida e plena de delegados que vêm de todos os cantos do país e até do mundo. Sei igualmente que o ar à volta do pavilhão do Laranjeiro está altamente comprometido, tal é o cheiro combinado de mofo com naftalina, típico dos dias de congresso.

Eram só estes dois apontamentos. Agora vou mudar para a M80.

29 de novembro de 2012

E do outro lado do Atlântico...


Porno-Chachada

Posso dizer mais uma coisa?

Desde o noticiário de ontem, às 20:00, da TSF, que ando a ruminar sobre algo que por lá ouvi. A propósito de determinadas medidas propostas no Orçamento de Estado para 2013, João Proença, Secretário-Geral da UGT, foi entrevistado em directo. Eu fiquei pasmo com o que ele disse. O senhor quase foi tentado a responder “sim”, quando lhe foi perguntado se ele se considerava pai da ideia da diluição de um dos subsídios no vencimento mensal. Não o disse com aquelas três letras, mas mostrou-se altamente satisfeito por ajudar na construção de uma medida que não fará perder poder de compra aos contribuintes. Um mimo.

Este tipo de afirmações na boca de um sindicalista de topo é tão hard-core como um filme porno da Ginger Lynn. Isso a juntar ao facto de que assinou o pacto de consertação social em vigor, ao lado dos restantes parceiros (a outra central sindical nacional negou-se mesmo a fazer parte dessa negociação), com todas as implicâncias negativas que isso está a ter na população e que, em altura do maior tumulto social dos últimos tempos, resolveu ficar a assistir por fora à greve geral de 14 de Novembro, parece-me que está a querer fazer corar de vergonha actores como o Rocco Siffredi.

Entretanto, on set, João estuda calmamente o guião de "O Sindicalista Maroto" 

TV pimba

Já não há pachorra para o formato pimba que as televisões nos querem impingir. Esta malta da TVI faz de tudo para subir nas audiências. Então não é que ontem arranjaram forma de, em horário nobre, nos fazer gramar com uma gala extra da Casa dos Segredos, onde um tipo estranhissimo com cara de beato, falava como se mandasse cá no rectângulo? Mas isto está tudo doido ou quê? Como se nós não soubéssemos que quem manda aqui é aquela senhora anafada que ainda há dias veio cá ver se estavam a tomar bem conta disto.

O homem falou, falou e falou, com uma sobriedade de um chefe de estado! De facto não parece tão brejeiro como os outros putos que estão lá dentro, mas também fez prova de que muito paleio não é sinónimo de muito acerto. Ao menos não apareceu no confessionário em tronco nu nem arrotou a meio da conversa.

Fiquei a pensar naquilo a noite toda, pá. Vocês conseguiram perceber qual é que é o segredo do gajo para ainda não ter sido expulso da casa?




28 de novembro de 2012

Viral

Imaginem este cenário:

Sexta-feira à noite. Estão em casa sem nada para fazer e apenas concentrados na vossa má fortuna. No primeiro canal do estado a noite do fado, no segundo um filme francês intragável, na SIC novelas a deitar por fora e na TV pimba anormais da sociedade a peidarem-se em directo. Recurso seguinte: o computador. Redes sociais e e-mails com correntes de amizade e outros carregados de avisos sobre tudo e mais alguma coisa. Dá vontade de meter a cabeça dentro do forno, mas num derradeiro estertor dão um murro na mesa, pondo fim à auto comiseração. Decidem sair e beber um copo. Fazem-se à estrada de forma decidida, rumo ao primeiro sítio onde estejam em harmonia a bebida, o barulho e a companhia. Será a partir daqui que começa o vosso verdadeiro pesadelo.

Poucos quilómetros volvidos cai algo no pára-brisas, bem no vosso raio de visão. Assustam-se e quase se despistam preparando-se para encostar. Num súbito alerta interno, lembram-se daquele e-mail que leram minutos antes e que vos aconselha a nunca fazer tal coisa sob o risco de serem assaltados por alguém que provocou ostensivamente aquele “acidente”. Seguem viagem numa condução por instinto e a lamber a berma da estrada. Só no local de destino e após análise cuidada se apercebem que o obstáculo visual era um presente de um pássaro qualquer com uma forte diarreia.

Entram no espaço de diversão nocturna. Casa cheia, música alta. Próxima paragem o bar. Querem beber algo forte que espante os espíritos maus e pedem de forma decidida um whiskey. Num ápice travam o pedido. O mail do vosso melhor amigo bem que vos avisou que este tipo de casas pode eventualmente misturar uma qualquer substância na vossa bebida, sabe-se lá com que intuito. Mudam para uma cerveja... de garrafa e aberta à vossa frente.

Começam a relaxar após a segunda e deixam-se absorver pelo ambiente. Arriscam um pulo à pista de dança. No meio dos encontrões naturais encaram com o personagem mais incrível da noite. Uma miúda linda de morrer mesmo a olhar de frente para vocês e a insinuar-se (aqui mudem o género consoante a vossa preferência. Como sou homem e gosto do género oposto continuo nesta linha). Aproximam-se e dançam bem juntos durante alguns minutos. Ela diz-vos ao ouvido que vos quer levar para casa e fazer uma festinha a dois. Nem acreditam que é mesmo convosco que está a acontecer e nem pensam duas vezes até caminharem para a saída. Estão à beira de meter um pé na rua, mas a vossa consciência está a dar-vos sinais. Sabem perfeitamente (por via de coisas que leram online), que tipas destas querem drogar-vos para vos retirar órgãos vitais. Fogem para dentro e deixam o avião pendurado à porta.

Regressam ao bar, a transpirar, mas agradecidos por serem "uma pessoa avisada" dos perigos que os rodeiam. A noite está tão repleta de “quase tragédias” e começam a desenvolver uma dor de cabeça. Entretanto tinham entabulado conversa de circunstância com outra pessoa. Mal não fará se pedirem algo para aliviar a moinha. A vossa companhia de bar por acaso até tem uma aspirina perdida no bolso e de pronto a oferece. Agradecem e vão para a meter na boca. De novo, nuvens pretas no ar. “Estou de certeza à beira de mandar para o bucho uma coisa que me vai apagar pelo tempo suficiente de me violarem ou coisa que o valha”, pensam. Sabem muito bem que assim será.

A noite está mais que lixada. Voltam ao carro, e fazem uma corrida contra vocês mesmos até à porta de casa. Dão um murro no computador e ligam a televisão bem a tempo de verem o episódio do dia da Gabriela.

27 de novembro de 2012

O do passarinho azul


Comunicado oficial de O do Manel

Após duras negociações com todo o staff desta publicação foi decidida a adesão ao Twitter. Sim, somos cidadãos do mundo! Sim temos que ocupar todas as plataformas sociais existentes! Em breve estaremos igualmente no Badoo onde colocaremos fotos com a roupinha que Deus nos deu assim que nascemos. Vão dando por lá um saltinho. Pelo Twitter, entenda-se.

P.S.: Obrigado pelas dicas N.M.


Regional Geographic

Cá por casa gostamos de viver em comunidade. Na verdade vivemos numa espécie de Kibutz onde só falta a minha irmã do meio. E somos uma franja da sociedade bastante integrante onde para além do rei dos animais, o homem, fazemos vida com várias outras espécies. Temos cães, gatos, pássaros, tartarugas, galinhas, formigas, vespas, moscas e mosquitos. Não tem havido problemas. Até hoje.

O membro mais recente da família é uma felina, de seu nome Jessie. Uma gata cinzenta, toda gira, que gosta de estar na dela e não faz mal a uma mosca, já que foi alertada para o nosso sistema comunitário. Apenas por uma vez atacou uma borboleta quando ainda se estava a habituar às novas regras. Apesar de já termos felinos, nunca foram animais exclusivos de casa. Eram (e são) altamente independentes e na maior parte dos casos só regressam à base para se alimentarem. É assim como o governo que só se lembra de nós na hora de comer.

A Jessie é pois o primeiro membro em regime de internato full-time. Só que as gatas têm uma particularidade que os restantes membros do nosso Kibutz não têm: o cio. Há dois dias que não sei o que é dormir em períodos superiores a 15 minutos. O bicho passa a noite a raspar nas portas e a chiar de tal forma que já lhe pus óleo lubrificante. Não resultou. Tenho umas olheiras mais pronunciadas que o Mário Soares. Esta é a caracteristicas mais negativa do animal. Por outro lado, vendo a coisa pela positiva, não me pica nem me zoa nas orelhas como fazem as camaradas melgas, esquecidas no primeiro parágrafo, mas nunca nas noites de verão.

Se algum biólogo ou um especialista em modificação genética me estiver a ler gostava que respondesse à seguinte questão: Haverá alguma possibilidade, mesmo que retoma, de pôr as tartarugas com o cio e a gata a hibernar?

26 de novembro de 2012

Cultura

E quando não há nada de interessante para dizer... um video.

Contém imagens realmente chocantes. Visualizem por vossa conta e risco!



Going North

Finalmente tive pachorra para aguardar o tempo que este video demora a carregar. É de minha autoria e retrata uma visita à Noruega que eu, o meu filho e a minha sobrinha mais nova fizemos para acompanhar a Confirmação da minha filha. Um dia explico-vos o que é.

(Para conseguir carregar o video tive que fazer uma redução enorme da resolução. O original está em HD)





23 de novembro de 2012

Mainstream

Eu bem tento, mas por mais que o faça não consigo deixar de parte questões que tenham algum ponto de contacto com o futebol. Ando a lutar para me abster do tema, mas a carne é tão fraca e o espectro tão tentador que definitivamente não consigo. Qualquer dia é isto:

"Olá. Eu sou o Manuel e já não falo de futebol há dois dias".

Ainda assim, hoje tenho atenuantes. O que me leva a mexer com o futebol não tem que ver com o desporto em si, mas com um exercício de comparação que tenho que fazer antes de pegar no assunto principal do post. Ora então cá vai.

Vocês, gente mais ligada a notícias da bola, conhecem aquele ciclo em que o treinador Fulano Tal é despedido por maus resultados de um clube. Em seguida Fulano Tal é contratado para um outro projecto. Para o substituir no primeiro, anuncia-se Sicrano que está muito entusiasmado com a sua nova aventura. Fulano Tal segue a sua vida e entretanto gravita de clube em clube e de demissão em demissão. Em dois ou três anos Sicrano também deixa de ser opção e é substituído por quem?... Nem mais! Fulano Tal. Esta é a cadeia alimentar no mundo da bola.

Now back to the main point... Isto é exactamente o que acontece com a RTP em particular e com o audiovisual em geral. Nuno Santos, já entrou e saiu da RTP sei lá quantas vezes. Acho que lhe deviam por na mão um cartão de pontos. Ao fim da décima entrada teria direito a contrato vitalício. Por certo estará agora a caminho de Carnasic, digo eu, já que em Queluz a coisa está dificultada. Recentemente foi para aquela posição um rapaz do Porto que começou na SIC, fez uma perninha na RTP e agora está na estação Pimba. Na RTP volta Luís Marinho, mais conhecido como o Mário Wilson, da estação do estado.

É assim a vida! As coisas fluem num ciclo vicioso... ou viciado!

22 de novembro de 2012

Mas que GANDA LOL

Algures no verão não muito distante de 2012, aparecia um rapaz com grandes aspirações na vida. Estava tão entusiasmado com aquilo que o futuro lhe reservava (ou isso ou punha pouco tabaco na cena), que se dava ao luxo de dizer pérolas que fizeram paragonas de imprensa e capas de jornais. Olhai e não se riam, porque ninguém está livre de uma desgraça... ou de ter mau gosto para cores.


Isto está de facto a levar mais futebol do que aquilo que queria.

Kjempe fint!


Brian Deane

Então não é que este rapaz (um autêntico pinheiro como diria Paulo “Forcado” Sérgio), de seu nome Brian Deane e que foi a primeira coisa boa que o Graeme Souness fez pelo Benfica (a segunda foi ter ido embora), hoje é treinador de futebol?

- E o que é que isso contribuí para melhorar o meu dia? - Estão vocês a perguntar. Na verdade em nada. E nem sequer é por isso que eu estou a gastar o meu tempo e o vosso. Onde eu quero chegar é que o Brian Deane fará a sua época de estreia como treinador precisamente no clube da pequena cidade de Sarpsborg, na Noruega, localidade onde mora a minha filha mais velha.

É apenas um apontamento da manhã que me deixou com um certo sorriso nos lábios.

Podem agora retomar a vossa actividade laboral, ou seja, actualizar a rede social preferida e jogar solitário. Inté!


21 de novembro de 2012

Dixit

"A consciência é a mais poderosa ferramenta de censura"

Manuel Morgado 21-11-2012

Carta aberta


Aníbal,

Desde que somos amigos no Facebook que isto tem sido uma relação algo esquisita. Tu escreves coisas de quilometro e meio e um gajo é quase obrigado a ler, como que num exercício de voyeurismo. Antes disso ser assim, via-te na televisão com alguma regularidade. Ora dizias umas coisas para inglês ver, ora dizias outras para português ver e, quando não querias falar para nenhum destes segmentos, tapavas a boca com bolo rei.

Desta vez não aguentei a unilateralidade em que isto está transformado e sou obrigado a vir até ti reivindicar qualquer coisa e, ao mesmo tempo, passar-te alguma informação. Que raio de amigo és tu quem nem uma porra de um "like" consegues deixar no meu mural? Eu que escrevo coisas bem menos chatas que as tuas! Acho mal da tua parte.

Ah, quase que me esquecia do mais importante. Não sei se estás ao corrente, mas aquele puto da jota do teu tempo - no tempo em que foste PM e desbaratinaste a agricultura, as pescas e a indústria, a troco do carcanhol comunitário - esse chavalo anda a dar cabo disto tudo. Não lhe dizes nada porquê? Aquilo é um tal de inventar sarna todos os dias. Parece que anda a brincar com o país como brincava lá nas empresas dos amigos. Aquelas que lhe deram currículo, mas não trabalho. Olha, faz um favor a todos e dá-lhe lá um puxão de orelhas. Sabes como são estes pirralhos. Se não se lhes corta as vazas vão por ali fora até estragarem o brinquedo. E aqui não dá para substituir por um novo!

Gajos desses bloqueio-os todos no meu Facebook! Acho que devias fazer o mesmo. E digo-te só mais esta:
DEIXA DE ME MANDAR MERDAS DO FARMIVILLE ANTES QUE TE BLOQUEIE A TI TAMBÉM!

20 de novembro de 2012

Como?...

Nos últimos tempos a temática aqui da casa anda muito virada para o futebol. Eu não gosto de misturar as coisas, mas por um lado, se é algo que está tão presente na minha vida, será natural que venha mais vezes à baila do que, por exemplo, o tricot. Hoje li uma coisa que entendo como hilária. Como sempre cheguei com algum atraso até ela mas antes tarde que nunca. Na edição de domingo do jornal A Bola vinha isto:


No seguimento da notícia, no último parágrafo diz isto:
«Não posso perceber como um jogador que já tinha um cartão amarelo, decide dar um ‘charuto’ na bola, quando o jogo já está parado. Se ele funciona assim não pode jogar na primeira divisão. Pelo menos comigo não joga»

Eu podia fazer aqui mais colagens multimédia, mas acho que todos, de alguma forma, conhecem o rapaz. Para aqueles que não o conhecem, sugiro uma visita ao YouTube e digitar na linha de pesquisa o seu nome. Se um tipo que faz o que faz enquanto jogador da bola e até já como treinador, acha o que acha sobre alguém que também reage mal, mas sem aleijar, pontapear ou gritar com alguém, então algo vai mal naquela cabecita. Um rapaz tão novo e já tão esquecido, coitado!

19 de novembro de 2012

Allez, Vale, Allez!

Enquanto isso...


(ler o que se segue e mentalmente imaginar a cadência de discurso de um João Ricardo Pateiro, mas sem aquelas musiquinhas de mer...)

João Vale tenta avidamente fanar o cachecol ao Zé, previamente gamado a um rapaz de Mafamude.  De seguida o próprio Zé procura com todas as suas forças ligar a alguém do clã Penedos, para que entrem em contacto com o Armando, a ver se conseguem com que este arranje uma caixa de robalos a dar à troca por tão valiosa peça de indumentária futeboliiiisticaaaa...

18 de novembro de 2012

Ajuda

Alguém me sabe dizer como é que se consegue meter pacotes de leite ou garrafas de água dentro de petardos ou sandes de fiambre dentro de very lights? É que eu estou a pensar em ir à bola no próximo fim de semana acompanhado por crianças. Ora sabendo o preço a que se vendem as coisas nos estádios e sabendo que não posso entrar neles com aquele tipo de mantimentos, gostava de as tentar surripiar dentro dos objectos pirotécnicos porque esses eu sei que podem entrar sem problema.

A minha caixa de comentários fica à vossa disposição, MacGyvers.

17 de novembro de 2012

O guardião das redes


Não vos disse ainda, e estranho não tê-lo feito, mas o meu filho mais novo decidiu mudar de posição no campo de futebol de 7. Ele joga no Futebol Clube de Alverca e esta é a sua terceira época enquanto atleta federado. Esta longevidade vence por KO aquela a que um treinador do Sporting alguma vez possa augurar. Dizia eu que o rapaz mudou de posição. Era defesa central e agora é guarda-redes (no Brasil diz-se goleiro e no Sporting frangueiro).

Eu estou em crer, e tenho até alguma ponta de orgulho nisso, que essa opção terá um pouco a ver comigo, porque é a posição que ocupei desde os treze anos de idade e pela qual ainda hoje estou fascinado (um dia falo-vos da minha passagem pelo futebol italiano, que nunca chegou a acontecer). Se eu já era um pai babado em relação a isso, agora ando totalmente inebriado com esta tomada de decisão que, digo-vos com a maior das sinceridades, é inteiramente dele. Devo até dizer que me enerva muito mais que ele esteja naquela zona onde a relva não nasce, porque sei, por experiência ainda que com algum exagero à mistura, que o guarda-redes nunca ganha jogos. Só os perde. No entanto reconheço que as coisas nem lhe estão a correr mal e, assim queira ele, poderão melhorar a cada treino e a cada jogo.

Rene Higuita
No que é que isto me torna? Naquele gajo que quer servir de guru ao seu rebento e que está carregado de ensinamentos técnico-táctico-físico-mentalo-paranormalitico. A parte técnico-táctica tenho-a deixado para os seus treinadores, que são quem tem essa responsabilidade e o conhecimento adequado. A mim compete-me explorar toda a componente mental afecta à função. É por isso que a primeira coisa que lhe transmiti com grande solenidade foi: O guarda redes tem que ter cara de maluco. Para mim nem foi difícil e é uma coisa inata. Mas para uma criança de 11 anos que nasceu bem mais favorecido que o pai nessa matéria, obriga a treino intensivo. Entre o trabalhar da expressão facial e o da verbalização de coisas sem nexo ao berro, há um longo caminho a percorrer.

Assim que termine esta parte, começarei com outro bloco: Nunca admitir a culpa na eventualidade do erro. Se o frango bater à nossa porta a culpa é sempre de outra coisa qualquer (excepto se for guarda redes do Sporting. Já vos tinha falado do Sporting?). Então se a bola passa para as redes por onde não devia a culpa é de certeza do estado do terreno, do sol, da iluminação artificial, das luvas, da velha aos berros atrás de um gajo. Nunca nossa! E mostramos a nossa indignação com tal afronta pela via do berro (cá está a verbalização), e do pontapé no poste, até romper as botas (... e a maluqueira).

No fundo aquilo que quero mesmo, é o rapaz se divirta a jogar, tanto ou mais do que aquilo que eu me divirto a vê-lo jogar. Boa sorte puto!

16 de novembro de 2012

Manifesto de intenções

Olá vasta audiência que acompanha este espaço um pouco por todo o mundo meu bairro... ok, lá em casa e mais duas ou três pessoas. Como me preocupo com a vossa sanidade, faço com que a minha falta de método e assiduidade seja a vossa terapia. Por outro lado, dá-me um jeitão saber que ainda há por aí quem goste de ler o que escrevo. No fundo é uma relação win-win.

Desde os tempos em que as unhas dos pés me cresciam mais depressa do que a barba, ainda hoje rala, que sempre aspirei a "um editar qualquer coisa", nem que seja a bula de um medicamento para a micose fúngica. Enquanto me for faltando a força de vontade, o tempo e, bem mais importante, o talento, vou acumulando papeis e anotações um pouco por toda a parte. E de vez em quando venho aqui.

Aqui não tenho qualquer pretensão de ser brilhante, nem sequer o maior da minha rua. Não faço isto para ganhar protagonismo ou palmadinhas nas costas. Quero apenas por em prática, por via da escrita e não só, a minha forma de estar na vida. Considero que a consciência critica, mesmo sobre assuntos considerados sérios, não nos obriga a falar deles de forma séria. Para isso há outros locais e outros meios. O meu objectivo não é fazer eco de notícias e acontecimentos.

Sabendo que até os blogues estão a sucumbir a outros formatos, tipo Facebook e aquele outro do passarinho azul, considero que nada se compara a ter uma espécie de cantinho só nosso e onde só entra aquilo que queremos e não aquilo que todos acham que queremos. Não me dá likes nem provas visíveis de popularidade (ou da falta dela), mas dá-me um gozo do caraças.

Era isto.

15 de novembro de 2012

Sem necessidade


Foto: sapo.pt

Eu também já tive uma má experiência com paralelos da calçada à portuguesa. Era muito miúdo e alguém fez questão de me mostrar que na relação de forças entre o atrito da rocha em grande velocidade contra a resistência do crânio humano, há grande vantagem da primeira. Ontem, no decurso da manifestação em frente ao parlamento, vi um grupo de hooligans a dar a sua própria visão de como um paralelo tem sempre uma palavra a dizer, quando esta já falta nas bocas dos homens.

Escusado será dizer que repudio actos destes. Mas também acho que se deve admitir que na cabeça de todos nós pairava a questão de por quanto tempo mais seriamos nós capazes de levar uma acção de protesto até ao fim, sem que algo do género acontecesse. Por mais condenável que seja, a rebelião é da natureza mais primária do homem. A sociedade funciona como um psicólogo que nos ensina a controlar os impulsos. Mas nem sempre os psicólogos são bem-sucedidos e acabam por deixar passar, pelos buracos do crivo, alguns bichos com psicopatias demasiado entranhadas e crónicas.

Se há dias fui eu a malhar na PSP, no meu caso, por via da caneta, hoje sou também homem para reconhecer que, em situações como a de ontem, nada mais havia para ser feito. A paciência humana tem limites e os da PSP foram levados até ao ponto de não retorno.

Muito sério para o registo do Manel. Eu sei. Às vezes é preciso.