30 de novembro de 2012

Dixit II



"Ainda nem recebi o subsídio de Natal deste ano e já sinto a falta do que deveria vir no próximo"

Manuel Morgado 30/11/2012


A luta

Estão abertos os trabalhos do 19º Congresso do Partido Comunista Português. Eram para aí umas 10:30 e eu tive a oportunidade de acompanhar, via radio, esse momento. Depois de dadas todas as explicações técnicas e orgânicas sobre o decurso dos trabalhos, chegou a hora de ouvir o camarada Jerónimo no discurso de abertura. Não sei se já repararam mas o Secretário-geral do PCP quando discursa tem uma cantilena muito parecida com a de um padre na hora do sermão. Se não soubesse que era ele a falar e se fosse 13 de Maio, até pensava que era homilia em dia de peregrinação a Fátima. Ora logo isto dá uma caricatura bem gira: Igreja/ comunismo. Enfim.

Sei que, como é hábito do partido, esta é uma jornada muito concorrida e plena de delegados que vêm de todos os cantos do país e até do mundo. Sei igualmente que o ar à volta do pavilhão do Laranjeiro está altamente comprometido, tal é o cheiro combinado de mofo com naftalina, típico dos dias de congresso.

Eram só estes dois apontamentos. Agora vou mudar para a M80.

29 de novembro de 2012

E do outro lado do Atlântico...


Porno-Chachada

Posso dizer mais uma coisa?

Desde o noticiário de ontem, às 20:00, da TSF, que ando a ruminar sobre algo que por lá ouvi. A propósito de determinadas medidas propostas no Orçamento de Estado para 2013, João Proença, Secretário-Geral da UGT, foi entrevistado em directo. Eu fiquei pasmo com o que ele disse. O senhor quase foi tentado a responder “sim”, quando lhe foi perguntado se ele se considerava pai da ideia da diluição de um dos subsídios no vencimento mensal. Não o disse com aquelas três letras, mas mostrou-se altamente satisfeito por ajudar na construção de uma medida que não fará perder poder de compra aos contribuintes. Um mimo.

Este tipo de afirmações na boca de um sindicalista de topo é tão hard-core como um filme porno da Ginger Lynn. Isso a juntar ao facto de que assinou o pacto de consertação social em vigor, ao lado dos restantes parceiros (a outra central sindical nacional negou-se mesmo a fazer parte dessa negociação), com todas as implicâncias negativas que isso está a ter na população e que, em altura do maior tumulto social dos últimos tempos, resolveu ficar a assistir por fora à greve geral de 14 de Novembro, parece-me que está a querer fazer corar de vergonha actores como o Rocco Siffredi.

Entretanto, on set, João estuda calmamente o guião de "O Sindicalista Maroto" 

TV pimba

Já não há pachorra para o formato pimba que as televisões nos querem impingir. Esta malta da TVI faz de tudo para subir nas audiências. Então não é que ontem arranjaram forma de, em horário nobre, nos fazer gramar com uma gala extra da Casa dos Segredos, onde um tipo estranhissimo com cara de beato, falava como se mandasse cá no rectângulo? Mas isto está tudo doido ou quê? Como se nós não soubéssemos que quem manda aqui é aquela senhora anafada que ainda há dias veio cá ver se estavam a tomar bem conta disto.

O homem falou, falou e falou, com uma sobriedade de um chefe de estado! De facto não parece tão brejeiro como os outros putos que estão lá dentro, mas também fez prova de que muito paleio não é sinónimo de muito acerto. Ao menos não apareceu no confessionário em tronco nu nem arrotou a meio da conversa.

Fiquei a pensar naquilo a noite toda, pá. Vocês conseguiram perceber qual é que é o segredo do gajo para ainda não ter sido expulso da casa?




28 de novembro de 2012

Viral

Imaginem este cenário:

Sexta-feira à noite. Estão em casa sem nada para fazer e apenas concentrados na vossa má fortuna. No primeiro canal do estado a noite do fado, no segundo um filme francês intragável, na SIC novelas a deitar por fora e na TV pimba anormais da sociedade a peidarem-se em directo. Recurso seguinte: o computador. Redes sociais e e-mails com correntes de amizade e outros carregados de avisos sobre tudo e mais alguma coisa. Dá vontade de meter a cabeça dentro do forno, mas num derradeiro estertor dão um murro na mesa, pondo fim à auto comiseração. Decidem sair e beber um copo. Fazem-se à estrada de forma decidida, rumo ao primeiro sítio onde estejam em harmonia a bebida, o barulho e a companhia. Será a partir daqui que começa o vosso verdadeiro pesadelo.

Poucos quilómetros volvidos cai algo no pára-brisas, bem no vosso raio de visão. Assustam-se e quase se despistam preparando-se para encostar. Num súbito alerta interno, lembram-se daquele e-mail que leram minutos antes e que vos aconselha a nunca fazer tal coisa sob o risco de serem assaltados por alguém que provocou ostensivamente aquele “acidente”. Seguem viagem numa condução por instinto e a lamber a berma da estrada. Só no local de destino e após análise cuidada se apercebem que o obstáculo visual era um presente de um pássaro qualquer com uma forte diarreia.

Entram no espaço de diversão nocturna. Casa cheia, música alta. Próxima paragem o bar. Querem beber algo forte que espante os espíritos maus e pedem de forma decidida um whiskey. Num ápice travam o pedido. O mail do vosso melhor amigo bem que vos avisou que este tipo de casas pode eventualmente misturar uma qualquer substância na vossa bebida, sabe-se lá com que intuito. Mudam para uma cerveja... de garrafa e aberta à vossa frente.

Começam a relaxar após a segunda e deixam-se absorver pelo ambiente. Arriscam um pulo à pista de dança. No meio dos encontrões naturais encaram com o personagem mais incrível da noite. Uma miúda linda de morrer mesmo a olhar de frente para vocês e a insinuar-se (aqui mudem o género consoante a vossa preferência. Como sou homem e gosto do género oposto continuo nesta linha). Aproximam-se e dançam bem juntos durante alguns minutos. Ela diz-vos ao ouvido que vos quer levar para casa e fazer uma festinha a dois. Nem acreditam que é mesmo convosco que está a acontecer e nem pensam duas vezes até caminharem para a saída. Estão à beira de meter um pé na rua, mas a vossa consciência está a dar-vos sinais. Sabem perfeitamente (por via de coisas que leram online), que tipas destas querem drogar-vos para vos retirar órgãos vitais. Fogem para dentro e deixam o avião pendurado à porta.

Regressam ao bar, a transpirar, mas agradecidos por serem "uma pessoa avisada" dos perigos que os rodeiam. A noite está tão repleta de “quase tragédias” e começam a desenvolver uma dor de cabeça. Entretanto tinham entabulado conversa de circunstância com outra pessoa. Mal não fará se pedirem algo para aliviar a moinha. A vossa companhia de bar por acaso até tem uma aspirina perdida no bolso e de pronto a oferece. Agradecem e vão para a meter na boca. De novo, nuvens pretas no ar. “Estou de certeza à beira de mandar para o bucho uma coisa que me vai apagar pelo tempo suficiente de me violarem ou coisa que o valha”, pensam. Sabem muito bem que assim será.

A noite está mais que lixada. Voltam ao carro, e fazem uma corrida contra vocês mesmos até à porta de casa. Dão um murro no computador e ligam a televisão bem a tempo de verem o episódio do dia da Gabriela.

27 de novembro de 2012

O do passarinho azul


Comunicado oficial de O do Manel

Após duras negociações com todo o staff desta publicação foi decidida a adesão ao Twitter. Sim, somos cidadãos do mundo! Sim temos que ocupar todas as plataformas sociais existentes! Em breve estaremos igualmente no Badoo onde colocaremos fotos com a roupinha que Deus nos deu assim que nascemos. Vão dando por lá um saltinho. Pelo Twitter, entenda-se.

P.S.: Obrigado pelas dicas N.M.


Regional Geographic

Cá por casa gostamos de viver em comunidade. Na verdade vivemos numa espécie de Kibutz onde só falta a minha irmã do meio. E somos uma franja da sociedade bastante integrante onde para além do rei dos animais, o homem, fazemos vida com várias outras espécies. Temos cães, gatos, pássaros, tartarugas, galinhas, formigas, vespas, moscas e mosquitos. Não tem havido problemas. Até hoje.

O membro mais recente da família é uma felina, de seu nome Jessie. Uma gata cinzenta, toda gira, que gosta de estar na dela e não faz mal a uma mosca, já que foi alertada para o nosso sistema comunitário. Apenas por uma vez atacou uma borboleta quando ainda se estava a habituar às novas regras. Apesar de já termos felinos, nunca foram animais exclusivos de casa. Eram (e são) altamente independentes e na maior parte dos casos só regressam à base para se alimentarem. É assim como o governo que só se lembra de nós na hora de comer.

A Jessie é pois o primeiro membro em regime de internato full-time. Só que as gatas têm uma particularidade que os restantes membros do nosso Kibutz não têm: o cio. Há dois dias que não sei o que é dormir em períodos superiores a 15 minutos. O bicho passa a noite a raspar nas portas e a chiar de tal forma que já lhe pus óleo lubrificante. Não resultou. Tenho umas olheiras mais pronunciadas que o Mário Soares. Esta é a caracteristicas mais negativa do animal. Por outro lado, vendo a coisa pela positiva, não me pica nem me zoa nas orelhas como fazem as camaradas melgas, esquecidas no primeiro parágrafo, mas nunca nas noites de verão.

Se algum biólogo ou um especialista em modificação genética me estiver a ler gostava que respondesse à seguinte questão: Haverá alguma possibilidade, mesmo que retoma, de pôr as tartarugas com o cio e a gata a hibernar?

26 de novembro de 2012

Cultura

E quando não há nada de interessante para dizer... um video.

Contém imagens realmente chocantes. Visualizem por vossa conta e risco!



Going North

Finalmente tive pachorra para aguardar o tempo que este video demora a carregar. É de minha autoria e retrata uma visita à Noruega que eu, o meu filho e a minha sobrinha mais nova fizemos para acompanhar a Confirmação da minha filha. Um dia explico-vos o que é.

(Para conseguir carregar o video tive que fazer uma redução enorme da resolução. O original está em HD)





23 de novembro de 2012

Mainstream

Eu bem tento, mas por mais que o faça não consigo deixar de parte questões que tenham algum ponto de contacto com o futebol. Ando a lutar para me abster do tema, mas a carne é tão fraca e o espectro tão tentador que definitivamente não consigo. Qualquer dia é isto:

"Olá. Eu sou o Manuel e já não falo de futebol há dois dias".

Ainda assim, hoje tenho atenuantes. O que me leva a mexer com o futebol não tem que ver com o desporto em si, mas com um exercício de comparação que tenho que fazer antes de pegar no assunto principal do post. Ora então cá vai.

Vocês, gente mais ligada a notícias da bola, conhecem aquele ciclo em que o treinador Fulano Tal é despedido por maus resultados de um clube. Em seguida Fulano Tal é contratado para um outro projecto. Para o substituir no primeiro, anuncia-se Sicrano que está muito entusiasmado com a sua nova aventura. Fulano Tal segue a sua vida e entretanto gravita de clube em clube e de demissão em demissão. Em dois ou três anos Sicrano também deixa de ser opção e é substituído por quem?... Nem mais! Fulano Tal. Esta é a cadeia alimentar no mundo da bola.

Now back to the main point... Isto é exactamente o que acontece com a RTP em particular e com o audiovisual em geral. Nuno Santos, já entrou e saiu da RTP sei lá quantas vezes. Acho que lhe deviam por na mão um cartão de pontos. Ao fim da décima entrada teria direito a contrato vitalício. Por certo estará agora a caminho de Carnasic, digo eu, já que em Queluz a coisa está dificultada. Recentemente foi para aquela posição um rapaz do Porto que começou na SIC, fez uma perninha na RTP e agora está na estação Pimba. Na RTP volta Luís Marinho, mais conhecido como o Mário Wilson, da estação do estado.

É assim a vida! As coisas fluem num ciclo vicioso... ou viciado!

22 de novembro de 2012

Mas que GANDA LOL

Algures no verão não muito distante de 2012, aparecia um rapaz com grandes aspirações na vida. Estava tão entusiasmado com aquilo que o futuro lhe reservava (ou isso ou punha pouco tabaco na cena), que se dava ao luxo de dizer pérolas que fizeram paragonas de imprensa e capas de jornais. Olhai e não se riam, porque ninguém está livre de uma desgraça... ou de ter mau gosto para cores.


Isto está de facto a levar mais futebol do que aquilo que queria.

Kjempe fint!


Brian Deane

Então não é que este rapaz (um autêntico pinheiro como diria Paulo “Forcado” Sérgio), de seu nome Brian Deane e que foi a primeira coisa boa que o Graeme Souness fez pelo Benfica (a segunda foi ter ido embora), hoje é treinador de futebol?

- E o que é que isso contribuí para melhorar o meu dia? - Estão vocês a perguntar. Na verdade em nada. E nem sequer é por isso que eu estou a gastar o meu tempo e o vosso. Onde eu quero chegar é que o Brian Deane fará a sua época de estreia como treinador precisamente no clube da pequena cidade de Sarpsborg, na Noruega, localidade onde mora a minha filha mais velha.

É apenas um apontamento da manhã que me deixou com um certo sorriso nos lábios.

Podem agora retomar a vossa actividade laboral, ou seja, actualizar a rede social preferida e jogar solitário. Inté!


21 de novembro de 2012

Dixit

"A consciência é a mais poderosa ferramenta de censura"

Manuel Morgado 21-11-2012

Carta aberta


Aníbal,

Desde que somos amigos no Facebook que isto tem sido uma relação algo esquisita. Tu escreves coisas de quilometro e meio e um gajo é quase obrigado a ler, como que num exercício de voyeurismo. Antes disso ser assim, via-te na televisão com alguma regularidade. Ora dizias umas coisas para inglês ver, ora dizias outras para português ver e, quando não querias falar para nenhum destes segmentos, tapavas a boca com bolo rei.

Desta vez não aguentei a unilateralidade em que isto está transformado e sou obrigado a vir até ti reivindicar qualquer coisa e, ao mesmo tempo, passar-te alguma informação. Que raio de amigo és tu quem nem uma porra de um "like" consegues deixar no meu mural? Eu que escrevo coisas bem menos chatas que as tuas! Acho mal da tua parte.

Ah, quase que me esquecia do mais importante. Não sei se estás ao corrente, mas aquele puto da jota do teu tempo - no tempo em que foste PM e desbaratinaste a agricultura, as pescas e a indústria, a troco do carcanhol comunitário - esse chavalo anda a dar cabo disto tudo. Não lhe dizes nada porquê? Aquilo é um tal de inventar sarna todos os dias. Parece que anda a brincar com o país como brincava lá nas empresas dos amigos. Aquelas que lhe deram currículo, mas não trabalho. Olha, faz um favor a todos e dá-lhe lá um puxão de orelhas. Sabes como são estes pirralhos. Se não se lhes corta as vazas vão por ali fora até estragarem o brinquedo. E aqui não dá para substituir por um novo!

Gajos desses bloqueio-os todos no meu Facebook! Acho que devias fazer o mesmo. E digo-te só mais esta:
DEIXA DE ME MANDAR MERDAS DO FARMIVILLE ANTES QUE TE BLOQUEIE A TI TAMBÉM!

20 de novembro de 2012

Como?...

Nos últimos tempos a temática aqui da casa anda muito virada para o futebol. Eu não gosto de misturar as coisas, mas por um lado, se é algo que está tão presente na minha vida, será natural que venha mais vezes à baila do que, por exemplo, o tricot. Hoje li uma coisa que entendo como hilária. Como sempre cheguei com algum atraso até ela mas antes tarde que nunca. Na edição de domingo do jornal A Bola vinha isto:


No seguimento da notícia, no último parágrafo diz isto:
«Não posso perceber como um jogador que já tinha um cartão amarelo, decide dar um ‘charuto’ na bola, quando o jogo já está parado. Se ele funciona assim não pode jogar na primeira divisão. Pelo menos comigo não joga»

Eu podia fazer aqui mais colagens multimédia, mas acho que todos, de alguma forma, conhecem o rapaz. Para aqueles que não o conhecem, sugiro uma visita ao YouTube e digitar na linha de pesquisa o seu nome. Se um tipo que faz o que faz enquanto jogador da bola e até já como treinador, acha o que acha sobre alguém que também reage mal, mas sem aleijar, pontapear ou gritar com alguém, então algo vai mal naquela cabecita. Um rapaz tão novo e já tão esquecido, coitado!

19 de novembro de 2012

Allez, Vale, Allez!

Enquanto isso...


(ler o que se segue e mentalmente imaginar a cadência de discurso de um João Ricardo Pateiro, mas sem aquelas musiquinhas de mer...)

João Vale tenta avidamente fanar o cachecol ao Zé, previamente gamado a um rapaz de Mafamude.  De seguida o próprio Zé procura com todas as suas forças ligar a alguém do clã Penedos, para que entrem em contacto com o Armando, a ver se conseguem com que este arranje uma caixa de robalos a dar à troca por tão valiosa peça de indumentária futeboliiiisticaaaa...

18 de novembro de 2012

Ajuda

Alguém me sabe dizer como é que se consegue meter pacotes de leite ou garrafas de água dentro de petardos ou sandes de fiambre dentro de very lights? É que eu estou a pensar em ir à bola no próximo fim de semana acompanhado por crianças. Ora sabendo o preço a que se vendem as coisas nos estádios e sabendo que não posso entrar neles com aquele tipo de mantimentos, gostava de as tentar surripiar dentro dos objectos pirotécnicos porque esses eu sei que podem entrar sem problema.

A minha caixa de comentários fica à vossa disposição, MacGyvers.

17 de novembro de 2012

O guardião das redes


Não vos disse ainda, e estranho não tê-lo feito, mas o meu filho mais novo decidiu mudar de posição no campo de futebol de 7. Ele joga no Futebol Clube de Alverca e esta é a sua terceira época enquanto atleta federado. Esta longevidade vence por KO aquela a que um treinador do Sporting alguma vez possa augurar. Dizia eu que o rapaz mudou de posição. Era defesa central e agora é guarda-redes (no Brasil diz-se goleiro e no Sporting frangueiro).

Eu estou em crer, e tenho até alguma ponta de orgulho nisso, que essa opção terá um pouco a ver comigo, porque é a posição que ocupei desde os treze anos de idade e pela qual ainda hoje estou fascinado (um dia falo-vos da minha passagem pelo futebol italiano, que nunca chegou a acontecer). Se eu já era um pai babado em relação a isso, agora ando totalmente inebriado com esta tomada de decisão que, digo-vos com a maior das sinceridades, é inteiramente dele. Devo até dizer que me enerva muito mais que ele esteja naquela zona onde a relva não nasce, porque sei, por experiência ainda que com algum exagero à mistura, que o guarda-redes nunca ganha jogos. Só os perde. No entanto reconheço que as coisas nem lhe estão a correr mal e, assim queira ele, poderão melhorar a cada treino e a cada jogo.

Rene Higuita
No que é que isto me torna? Naquele gajo que quer servir de guru ao seu rebento e que está carregado de ensinamentos técnico-táctico-físico-mentalo-paranormalitico. A parte técnico-táctica tenho-a deixado para os seus treinadores, que são quem tem essa responsabilidade e o conhecimento adequado. A mim compete-me explorar toda a componente mental afecta à função. É por isso que a primeira coisa que lhe transmiti com grande solenidade foi: O guarda redes tem que ter cara de maluco. Para mim nem foi difícil e é uma coisa inata. Mas para uma criança de 11 anos que nasceu bem mais favorecido que o pai nessa matéria, obriga a treino intensivo. Entre o trabalhar da expressão facial e o da verbalização de coisas sem nexo ao berro, há um longo caminho a percorrer.

Assim que termine esta parte, começarei com outro bloco: Nunca admitir a culpa na eventualidade do erro. Se o frango bater à nossa porta a culpa é sempre de outra coisa qualquer (excepto se for guarda redes do Sporting. Já vos tinha falado do Sporting?). Então se a bola passa para as redes por onde não devia a culpa é de certeza do estado do terreno, do sol, da iluminação artificial, das luvas, da velha aos berros atrás de um gajo. Nunca nossa! E mostramos a nossa indignação com tal afronta pela via do berro (cá está a verbalização), e do pontapé no poste, até romper as botas (... e a maluqueira).

No fundo aquilo que quero mesmo, é o rapaz se divirta a jogar, tanto ou mais do que aquilo que eu me divirto a vê-lo jogar. Boa sorte puto!

16 de novembro de 2012

Manifesto de intenções

Olá vasta audiência que acompanha este espaço um pouco por todo o mundo meu bairro... ok, lá em casa e mais duas ou três pessoas. Como me preocupo com a vossa sanidade, faço com que a minha falta de método e assiduidade seja a vossa terapia. Por outro lado, dá-me um jeitão saber que ainda há por aí quem goste de ler o que escrevo. No fundo é uma relação win-win.

Desde os tempos em que as unhas dos pés me cresciam mais depressa do que a barba, ainda hoje rala, que sempre aspirei a "um editar qualquer coisa", nem que seja a bula de um medicamento para a micose fúngica. Enquanto me for faltando a força de vontade, o tempo e, bem mais importante, o talento, vou acumulando papeis e anotações um pouco por toda a parte. E de vez em quando venho aqui.

Aqui não tenho qualquer pretensão de ser brilhante, nem sequer o maior da minha rua. Não faço isto para ganhar protagonismo ou palmadinhas nas costas. Quero apenas por em prática, por via da escrita e não só, a minha forma de estar na vida. Considero que a consciência critica, mesmo sobre assuntos considerados sérios, não nos obriga a falar deles de forma séria. Para isso há outros locais e outros meios. O meu objectivo não é fazer eco de notícias e acontecimentos.

Sabendo que até os blogues estão a sucumbir a outros formatos, tipo Facebook e aquele outro do passarinho azul, considero que nada se compara a ter uma espécie de cantinho só nosso e onde só entra aquilo que queremos e não aquilo que todos acham que queremos. Não me dá likes nem provas visíveis de popularidade (ou da falta dela), mas dá-me um gozo do caraças.

Era isto.

15 de novembro de 2012

Sem necessidade


Foto: sapo.pt

Eu também já tive uma má experiência com paralelos da calçada à portuguesa. Era muito miúdo e alguém fez questão de me mostrar que na relação de forças entre o atrito da rocha em grande velocidade contra a resistência do crânio humano, há grande vantagem da primeira. Ontem, no decurso da manifestação em frente ao parlamento, vi um grupo de hooligans a dar a sua própria visão de como um paralelo tem sempre uma palavra a dizer, quando esta já falta nas bocas dos homens.

Escusado será dizer que repudio actos destes. Mas também acho que se deve admitir que na cabeça de todos nós pairava a questão de por quanto tempo mais seriamos nós capazes de levar uma acção de protesto até ao fim, sem que algo do género acontecesse. Por mais condenável que seja, a rebelião é da natureza mais primária do homem. A sociedade funciona como um psicólogo que nos ensina a controlar os impulsos. Mas nem sempre os psicólogos são bem-sucedidos e acabam por deixar passar, pelos buracos do crivo, alguns bichos com psicopatias demasiado entranhadas e crónicas.

Se há dias fui eu a malhar na PSP, no meu caso, por via da caneta, hoje sou também homem para reconhecer que, em situações como a de ontem, nada mais havia para ser feito. A paciência humana tem limites e os da PSP foram levados até ao ponto de não retorno.

Muito sério para o registo do Manel. Eu sei. Às vezes é preciso.

13 de novembro de 2012

Why????

Um gajo sabe que bateu no fundo quando:

1. Acha uma ideia engraçada
2. Rouba a ideia
3. Transforma-a para ter o seu cunho

e...

Detecta por si mesmo que roubou a ideia a um gajo que não sabe inglês e que teve durante 3 horas, orgulhosamente, exposto ao mundo um erro ortográfico do tamanho de um camião e ninguém lhe disse nada!

Vou ali mandar-me para debaixo de um comboio, está bem?

12 de novembro de 2012

O emplastro

Hoje estou com alguma comichão nas falanges. E não querendo falar do happening do dia, porque a gordura provoca colesterol, volto-me um pouco para a esquerda. Dizem que ontem terminou um ciclo de Bloco de Esquerda. Exit Louçã. Enter Catarina & Semedo. A já famosa liderança bicéfala. Descobri uma imagem muito feliz (parabéns ao autor), e espero que não se importe que a utilize. É esta:



Mas eu sinceramente desconfio desta bicefalia. Por esse motivo arrisco aqui alguns dotes de edição manhosa de imagem, que fui adquirindo, para vos dar a minha visão pessoal da nova liderança do Bloco. Digamos que até aqui me falta a originalidade. O pioneirismo da ideia recai todo em Paulo Futre, que um dia criou o conceito de vinte e dois mais um, rapidamente transformado e replicado em qualquer coisa mais um. Esta é a minha:


Eu...

...vou conseguir passar este dia sem fazer uma piada sobre a gorda. Eu vou conseguir passar este dia sem fazer uma piada sobre a gorda. Eu vou conseguir passar este dia sem fazer uma piada sobre a gorda.Eu vou conseguir passar este dia sem fazer uma piada sobre a gorda...

9 de novembro de 2012

Uma fábula

Acho que todos nós conhecemos a fábula da formiga e da cigarra. Para os poucos que não a conhecem, resumo dizendo que é a história de um bicho (a formiga), que trabalha desalmadamente no Verão para que sobreviva ao rigor do Inverno em contraponto com outro bicho (a cigarra), que passa o Verão a cantar pelo que no Inverno, como não tem nada para dar ao dente, recorre ao auxílio do primeiro bicho. Interpretações a isto podem ser várias. Para mim parece-se muito com aquilo que o governo anda a fazer aos fundos de pensões e afins que alguns sectores da função pública amealharam a contar com um futuro melhor. Mas já aquele velhote do anúncio dizia: veio o coelhinho... e comeu-o!

Um dos bastiões que também viu serem-lhe, como é que se diz, ROUBADOS os fundos, neste caso, o fundo para fardamento, foi a Polícia de Segurança Pública. Só que aqui não se brinca em serviço. Avisados pela tal fábula de que vos falei, puseram mãos na massa. Durante a última estação Primavera/ Verão foi vê-los a amealhar. Posso dizer-vos que no percurso de minha casa até à entrada que utilizo para a A1 são 7 kms (contei eu). Nesse pedaço de estrada cheguei a apanhar 3 postos de controle com 3 brigadas, numa média de 3 vezes por semana, por vezes 4. Algumas dessas operações Stop eram de tal envergadura que mais parecia que andavam à procura de um serial killer! Acreditem que não exagero. Quem conhece o percurso sabe daquilo que estou a falar.

E de repente chega o Inverno. Deixei de ver as tais brigadas. Por vezes aparecem, mas muito timidamente, como que envergonhadas. Sempre debaixo das pontes. É a chuva! Mas também não há problema. Na altura certa foram formiguinhas exemplares.

8 de novembro de 2012

Para memória futura

Acabo de ler num orgão informativo online que existem em Portugal cerca de 90 mil pessoas com Alzheimer. Leio igualmente que, apesar de hoje em dia o rastreio ser melhor, a doença tende a aumentar e não a diminuir. Eu sou um bocado hipocondríaco, confesso. O Alzheimer está no top 5 da minha lista, logo a seguir ao Pé de Atleta e por conseguinte, a notícia causa-me desconforto. Então um cocktail de Alzheimer, Parkinson e Pé de Atleta é coisa para me fazer borrar as calças.

Como o futuro a Passos Coelho pertence (pelos menos o futuro próximo), eu preocupo-me intensamente com o presente e deixo o que há-de vir para depois. Pior do que não saber com o que contar nos anos que estão a chegar, é passar o tempo até lá a sofrer por antecipação.

A sabedoria popular recorre a uma máxima para lamber as feridas do passado, como que procurando o auto-perdão para casos que poderiam ter sido resolvidos de maneira diferente:

Quem me dera saber ontem aquilo que sei hoje.

É aqui que voltamos ao principio desta entrada de blogue. Isto porque eu prefiro uma outra forma de me motivar positivamente:

Espero bem amanhã saber aquilo que sei hoje. Xô daqui Alzheimer!

6 de novembro de 2012

É pois

Um dia ainda mando um gajo para um sítio qualquer manhoso, se me voltam a falar com base em frases escritas em pacotes de açucar. Hoje é o dia.

5 de novembro de 2012

Perder a probabilidade de ganhar

Sou uma pessoa extremamente competitiva. Detesto perder e se longe vão os dias em que perder significava rosnar a todo aquele ser que me desse os bons dias, continuo com uma forte má digestão da derrota. Mas depois há aqui um contra censo brutal no que toca a esta coisa do perder e ganhar. Ora se uma coisa é perder, mas ter lutado para que o resultado fosse diferente, outra é perder por falta de comparência. E o mais caricato nisto é que ando a perder por 5-0 e a queixar-me no fim quase desde sempre e nem sequer me tinha apercebido disso.

No seguimento destas considerações, quero então partilhar convosco que de hoje em diante vou aumentar em muito as minhas probabilidades de vir a ser milionário. Daqui para o futuro vou começar a jogar no Euromilhões!

Eis o Mister!



Não vou perder tempo com análises. Este homem não engana. Pega na equipa e os gajos de verde e branco ganham imediatamente e sem caroço!