17 de dezembro de 2012

Hey Man! (leia-se amen em inglês, sff)

No fim-de-semana passado, por questões de ordem familiar, regressei ao contacto próximo com uma igreja, ou melhor, com uma celebração religiosa vulgarmente chamada de missa. Fi-lo por respeito aos meus familiares, presentes e não presentes, mas rapidamente me apercebi porque é que nunca fui rapaz assíduo neste tipo de actividades. Curiosamente até sou fã de arte sacra e dos próprios edifícios. Gosto de visitar igrejas e templos que tenham valor histórico. Se calhar isso é mais uma explicação a juntar a muitas outras. Hoje em dia as igrejas já não são o que eram. São, em grande maioria, derrames cerebrais de arquitectos aborrecidos com a vida.

Deixando de parte as considerações arquitectónicas, concentremo-nos no que interessa. Ir a uma missa acaba até por ser um bom exercício de observação de massas. Estas questões da espiritualidade permitem um contacto com experiências de cidadania que não são fáceis de encontrar noutro lado. Bom. Ser, até são. Mas ali estão concentrados num único espaço. Passemos então às conclusões deste meu trabalho de campo.

Apercebi-me que esta coisa da beatice é bem mais profissionalizada do que pensava. À conversa com um participante fiquei a saber que estava naquele local, àquela hora, para aquela eucaristia, mas que assim que esta terminasse, partiria para uma próxima, num local diferente. A isto chama-se scouting. O scounting é o termo hoje utilizado para os antigos olheiros no futebol. Ainda nesta área do scouting, eu próprio acabei por chamar a mim esse papel. Quando os primeiros cânticos foram entoados, fechei os olhos e imaginei, por momentos, que era aquele taberneiro gordo dos Ídolos. “O que é que vocês vieram cá fazer? É que vocês não cantam um caracol, pá!”

Chegou a altura de dar alguma atenção ao pároco. E pondo de parte todos os rituais inerentes ao acto (as orações, os dizeres, as acções, etc.), aos quais não reconheço qualquer significado prático, mas tendo a respeitar, gostaria de me concentrar naquela parte do sermão (sei que existe um termo mais correcto e mais nobre, mas não me está a apetecer googlar). E desculpem-me os mais puritanos, mas já ouvi coisas bem mais interessantes ditas pelos bêbados da tasca da minha rua. Aquilo é uma sucessão de Lapalissadas! “Se fores bom, não és mau”; “faz o bem, não faças o mal”; “não desanimes, anima-te”, etc. e tal. Tudo bem que assim seja. Não me chateia nada e, para alguns até pode funcionar como psicólogo à borla. Mas vejo-o dizer aquelas coisas e que Deus é alegria, mas a cada oração e a cada momento de introspecção as caras são de tristeza! Juro que não entendo onde está a dita alegria do Senhor!

Perto do fim, há um momento reservado a oferendas. Acho bem que os paroquianos ajudem a sua paróquia. Aí fiquei a saber que as simulações não são só no futebol. Vi mãos vazias a entrar no cesto das oferendas. Posso garantir que estou a falar verdade. Mas, verdade seja dita, que saíram tão vazias como haviam entrado. Estamos em crise, sem dúvida, mas não acho bonito querer parece-lo quando não se é. Até porque a tal mão seria das que menos problemas com a crise terá, no seio dos que estavam presentes.

Muito mais poderia eu dizer, mas também não tenho intenção de bater no ceguinho. Reafirmo o meu respeito pelos credos de cada um. Até pelo tripaneirismo! Mais digo que até invejo quem tem o seu próprio credo. A fé ajuda a levar as coisas com uma perspectiva de futuro que eu não consigo alcançar.

Não me excomunguem, por favor.

Sem comentários:

Enviar um comentário

A bem da nação, o teu comentário fica a aguardar moderação do Lápis Azul.