6 de janeiro de 2014

Deusébio



Seria inevitável deixar umas quantas linhas sobre o Eusébio. Não porque tenha algo de especial para acrescentar, mas porque tenho o dever de homenagear um dos motivos pelos quais sou do Benfica. Aliás não é redundância nem é abuso querer deixar uma palavra, seja ela qual for e seja de quem for, quando parte alguém que se admira. 

Muita da minha história com o Eusébio foi escrita pelo meu pai. Na altura em que não havia forma de reviver os seus feitos a não ser pela força da palavra, e tendo eu nascido no ocaso da sua carreira, era a eloquência do meu pai que me criava a imagem da grandeza do jogador. Por defeito, quem engrandece alguém de que se gosta tende a exacerbar. Mas quando tive hipótese de ver por mim mesmo as jogadas e os golos constatei que nada do que me contara o meu pai fora exagerado. Ele era mesmo o maior.

Parte um homem que se tornou um  mito ainda em vida e isso não deixa ninguém indiferente. Tenho visto de tudo por essa internet. E as minhas últimas palavras vão agora num outro sentido. Não somos obrigados a gostar de toda a gente. Por conseguinte não somos obrigados a carpir por quem nada nos diz. Mas temos a obrigação de respeitar. Leio coisas nas redes sociais que poucos comentários merecem da minha parte. Não por ser benfiquista, não por gostar de Eusébio, mas por ter a noção do decoro. E aproveito para dizer que repugno essas inscrições como repugnei as das pessoas que esperavam o pior aquando de um episódio de saúde recente do presidente do FC Porto. E se, à maior parte, não passo o mínimo cartão aquelas que são proferidas por pessoas que considero amigas ou pelo menos bons colegas deixam-me triste.

Mas no meio disso encontro coisas que me surpreendem positivamente. Em resposta a uma dessas entradas de mural no facebook de um miudito ressabiado sabe-se lá com o quê, li uma coisa que diz tudo. E o que mais me chama à atenção é o facto de, a julgar pela foto, essa resposta ser proferida por uma jovem do mesmo escalão etário. E está lá tudo em poucas palavras:

A morte é algo que pelos vistos tu ainda não entendes e só se toma duas atitudes: ou se presta homenagem ou se fica em silêncio.

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