27 de janeiro de 2014

Aos ultras das nossas bancadas

Desde há alguns anos que me habituei a seguir o meu filho onde quer que ele vá jogar futebol. Se o móbil é mesmo vê-lo em acção, à volta de cada jogo de existem outras coisas com as quais também aprendi a viver e a gostar. O principal será o convívio com os pais que, tal como eu, não perdem pitada da bola dos seus filhos. No caso particular da equipa do meu rapaz, o grosso do grupo dos pais vem já de há anos. Esporadicamente sai um para outras paragens e entram outros que são bem acolhidos e rapidamente se integram.

Tudo isto para dizer que um fim de semana sem esta rotina acaba por ser um pouco estranho. O corpo até reage mal ao facto de não apanhar chuva no lombo ou sol na mona, conforme a condição atmosférica. Foi exactamente o que aconteceu na semana que fechou ontem. Não houve jogo, quebrou-se o ciclo e, se pode até saber bem ficar sem fazer nada ao sábado à tarde, reza-se para que o próximo chegue rapidamente.

Mas depois há uma componente, que também fazendo parte do ritual, nunca consigo que me passe ao lado: as claques com laivos de radicalismo. E quando falo disto, falo de todos sem excepção. Sim, porque não somos santos de um lado e diabos do outro. Alturas houve em que, digamos, a claque (sempre muito curta), da nossa equipa era abrilhantada por alguns elementos de língua altamente solta ao piropo fácil a tudo o que corre dentro das quatro linhas. E, meus amigos, sejamos razoáveis. Aceito (e pratico), o piropo ao árbitro que deu uma fora da caixa. Se não se ofende ninguém também não vejo qual é o mal de discordar abertamente da decisão do apitador. O que eu não aceito mesmo é os que disparam em todas as direcções, miúdos incluído.

Ultimamente tenho visto muito disso. Malta que se esquece que está a assistir a uma partida de futebol onde evoluem miúdos da faixa etária 11/13 anos. E toca a xingar como se de homens feitos se tratassem. Esta época anda pródiga neste tipo de episódios e eu acabo por dar graças a um Deus qualquer (cada um que utilize o da sua devoção), por estar inserido num grupo de pessoas que têm a noção da realidade.

Aos que não têm deixo o apelo: Tenham um bocadinho de tento e de tino. Se nós dizemos, acerca do futebol profissional, aquele dos milhões, que se trata apenas de  um jogo, então pensem que muito mais isso é verdade quando toca a miúdos tão novos. E acrescento que é um jogo e acima de tudo é uma diversão que se deve estender às bancadas.

Está dado o recado.

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