7 de janeiro de 2012

A ternura dos (quase) quarenta

As coisas e os factos que experimentei enquanto chavalo novo não passam hoje de lembranças. Olha que grande descoberta, não é? As coisas de que falo e que catalogo de lembranças nem sequer existem na cabeça da maioria das pessoas que, por exemplo, comigo trabalham dada a faixa etária destes ser ainda abaixo ou muito perto dos trinta. Bastam dez anos de diferença para que as memórias de uns se afastem bastante das de outros.

Hoje existem fenómenos como o do Tony Carreira. Sim. Forço-me a reconhecer o homem como pertencendo à classe dos fenómenos. Só um fenómeno é que consegue agarrar em versos que outros já haviam explorado e, cantando pouco melhor que uma sirene dos bombeiros, vender discos como quem vende gelados no verão. Mas dizia que hoje existem os Tony Carreiras. No meu tempo haviam outros. O pessoal da minha idade não me deixará sozinho na recordação de vozes da música popular como as de Marco Paulo, da Cândida Branca Flor, do Carlos Paião... podia encher um parágrafo inteiro com nomes de cantores da música ligeira que, pasme-se, até sabiam cantar e bem! Naquela altura um gajo na adolescência não se sentia envergonhado a ouvir música ligeira, cantada em português. Isto era antes do conceito pimba se ter enraizado.

Por estes dias tenho-me lembrado muito de um a quem nem achava grande piada. O tipo tinha assim uma voz meio nasalada e cantava umas coisas demasiado rebuscadas para a minha cabeça ainda jovem e cravejada de acne. Anos mais tarde passei a perceber que nem cantava mal e que as letras tinham um conteúdo intelectual aceitável e forte valor de conteúdos. Até então sempre pensara em Badajoz como uma terra onde os portugueses iam comprar caramelos. Grande viagem aos confins da Espanha por causa de caramelos que se colavam aos dentes! Graças ao cantor, fiquei a saber que afinal ficava bem à vista de Elvas, portanto logo ali ao lado da Lusitânia.

É o Paco Bandeira sim senhor! Um presunto ali para a senha 36. Uns reconhecê-lo-ão como um fabuloso cancenotista. Outros hão-de sempre recordá-lo como um grande pugilista!

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